quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Animais humanos (Amar Gomes)

Por trás da porta
Um homem se esconde
Apavorado com a violência
Do mundo lá fora.
Na visão do olho mágico,
O terror,
Os sons lá fora o enervam
Os cheiros o preocupam.
Pressão psicológica,
Nervos à flor da pele,
Quanto pavor...
E as flores nascem no quintal,
Os pássaros cantam ao amanhecer
O sol brilha, a noite vem,
A chuva cai.
É preciso viver
No meio da atribulação.
Humanidade, civilização,
Seres incompreendidos,
Seres incompreensíveis
Que amam violentando
Como animais humanos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Fogueira tribal (Cledson Sady)


Ao redor da fogueira iluminada,
Num círculo que se abre ao céu,
As estrelas, cadentes, imantadas,
Olham para a via que clareia o véu.

As prosas animadas, incandescentes,
Abordam assuntos sem fim.
O compromisso com a razão, já decadente,
É comandado pelo balanço do sim.

O primitivo encontro com o fogo
Aquece a noite e a madrugada.
A amizade (re) confirmada
Num encontro sem causa causada.

Os vagalumes, sapos e grilos
São personagens sempre presentes,
Mas, abafados pelo ruído dos risos,
Aumentam o volume, num esforço estridente.

Na madrugada chegam o sereno e o frio
E devagar o círculo encolhe, mas não se fecha.
O falar agora soa macio
Ao coração que de consolo tem queixa.

Nasce o dia, restam as cinzas.
Agora, em sonhos, aquecidos, segue o ritual.
Os problemas da vida recebem boas vindas
No espaço, aonde chegam da queima tribal.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ah! ...O OLHAR (Vera Jacobina - Vereda)


Ah! ...O OLHAR
É sempre o olhar,
que diz tudo
e um pouco mais.

Mostra a alma.
O mais profundo do ser,
teima em não ser.

Que observa tudo.
sem contudo,
querer mostrar-se.

Olhar furtivo,
tal qual fugitivo,
Sem querer voltar.

É esse espelho,
que nos acena,
e reflete a cena,
do nosso querer.

Jacobina, 30 de novembro de 2009.
Vera Jacobina (Vereda)

Um sorriso morgado... (C Matos)


Um sorriso morgado
Já quase choro...
Um homem andando,
Bodeado,
Já quase parado...
Um barraco sonhando,
Já quase edifício...
Eu sem comer,
Derrubado,
Já quase poeta.

Que venha a velhice... (Ivan Aquino)


Que venha a velhice,
Quero enfrentá-la de dedo em riste,
Com a energia de um rebelde sem causa,
Lutando por causas
Que nem sei mais se existem.
Que venha o futuro,
Esse troço obscuro
Que nos trás esperança e medo,
Medo e esperança,
Caminho tortuoso
Que não sabemos onde vai dar.

SONHOS (Amar Gomes)

Meus sonhos
Fabrico-os eu
Materializando-os
No campo das ilusões.
Minhas fantasias
Voam bem alto...
Ou rastejam
Procurando a tua sombra.
Sonhos e fantasias
Desejos e delírios
Em torno de ti,
Florescendo, crescendo, se avolumando
Até explodir
Em fantasias loucas
Envolvendo-nos
Em viagem infinita...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

CENÁRIO (Vera Jacobina)


No alto da Missão,
tudo é magia...
Começa pelo sol
que se põe à tardinha.

Quando a noite vai chegando
linda, enluarada...
A turma se diverte
ao som da marujada.

O bairro tem vida própria,
restaurantes, pizzarias,
chopperias, sorveterias...
Baiana do acarajé.

Uma linda igrejinha
que ficou na história,
faz parte do cenário
e de pesquisas nas escolas.

A partir da sexta-feira,
na Missão tudo acontece:
celebração de missas,
gente fazendo preces.

Neste belo lugar,
respiramos música e poesia,
que nos dá muita alegria,
e vontade de ficar.

Jacobina-Ba., 26 de outubro de 2009.

Vera Jacobina (Vereda)