terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DEZEMBRO CHEGANDO... (Vera Jacobina)


Esse mês já diz tudo,
é tanta promessa,
é muita mudança,
eu na lembrança,
do ano passado.
Pois era de fato,
a mesma bonança.
Chegava Natal,
comprava-se presentes,
era muita coisa,
era coisa e tal...
muita gente esquecida,
do verdadeiro Natal.
No reveillon,
tudo se repetia,
muitos brindes,
muitos desejos,
e num lampejo,
ao pipocar dos fogos,
surge o próximo ano,
que sem desânimo,
começa de NOVO.

Jacobina - BA, 28 de novembro de 2009.
Vera Jacobina
Publicado no Recanto das Letras em 29/11/2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Há quarenta e oito anos (Cledson Sady)


Hoje percebi que há trinta anos fiz dezoito anos. Há trinta anos entrei na faculdade, conheci a odontologia.
Há trinta anos me indignava com a ditadura militar, com os políticos e partidos de direita, descendentes da ARENA. Há 30 anos assumia a Presidência da República outro general, desta vez um vindo do SNI: João Batista Figueiredo. Há 30 anos admirava a inteligência de Chico Buarque e de Milton Nascimento e ouvi na voz de Elis Regina “O Bêbado e o equilibrista”. Há 30 anos tirei carteira de motorista e dividia com minha irmã um fusca 1976.
Há 30 anos já conhecia o Espiritismo, embora não fosse um militante da causa, nem o compreendesse direito. Há 30 anos tirei título de eleitor e ele só foi usado para votar em candidatos compromissados com a melhoria da qualidade de vida da população. Há 30 anos passados, eu gozava da companhia de meu pai e de minha mãe, ambos com mais ou menos a mesma idade que tenho hoje. Há 30 anos eu participei de torneios de pesca em Abaís, Sergipe, conhecia os pescadores de Buraquinho, onde passei muitos finais de semana.
Há 30 anos eu me apaixonei muitas vezes, pensando que era para sempre, todas as semanas.
Há 18 anos eu trintei. Já era casado com Arlene e tinha meus dois filhos, Danilo e Nayara. Há 18 anos já era militante espírita “ortodoxo”, havia participado da fundação de duas instituições espíritas, uma em Mundo Novo e outra em Salvador, e achava que conhecia bem a Doutrina. Há 18 anos já era órfão de pai. Era funcionário concursado da SESAB, dava plantão no Hospital Menandro de Farias, sofria com a inflação de Sarney, participava de programa espírita na Rádio Clube AM, em Salvador, tinha consultório em Camaçarí.
Há 18 anos já participava das Semanas Espíritas em Jacobina, cidade que conheci alguns anos antes e acabei por me transferir de vez em 1992, fugindo do tumulto de Salvador, buscando um lugar mais calmo para meus filhos crescerem em paz.
Há 18 anos me decepcionava cada dia mais com os políticos brasileiros, especialmente com o presidente alagoano, que ganhara a primeira eleição depois da ditadura militar e decepcionou os mais pobres. Há 18 anos ouvia o "Legião Urbana" cantar “Pais e Filhos”.
Há oito anos entrei na idade do Lobo, plantei alguns pés de pitomba, que já produziram frutos. Há mais de oito anos implantei meu refúgio do Tapuio, tenho consultório em Jacobina, estou na Academia Jacobinense de Letras, participo da União Espírita de Jacobina e ajudei a fundar a ABO secção de Jacobina. Há mais de oito anos sou órfão de pai e mãe, hipertenso e diabético, participei de antologias literárias na Academia Jacobinense de Letras, tenho escrito alguns livros e os guardado.
Há oito anos meus filhos ainda moravam comigo, em Jacobina, eu nada sabia da Luta anti-manicomial, dos Caps, do PV nem da Terapia Comunitária.
Há 30 anos, há 18 anos, há 48 anos eu andei construindo algo. Só sei, hoje, que ainda não acabei.

sábado, 21 de novembro de 2009

OLHARES SERTANEJOS - 5 fotógrafos do Piemonte da Chapada Diamantina.


Exposição: OLHARES SERTANEJOS - 5 fotógrafos do Piemonte da Chapada Diamantina
Local: UNEB
Período: 23 a 27/11/2009 na Semana de História.

IGREJA DAS FIGURAS - VALTER OLIVEIRA


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Basta! (Beto Borboleta)


Basta!
Não me inebrie mais com tua beleza.
Falácias não alimentam minha certeza.
Eu, que fui um escravo do vento,em tempos de tempestades.
O que busco?
É só amizade.
Alimentar a chama que se chama desejo.
Beijo?
Quando não tem gosto amargo é bom!
Alimentam sonhos,fazem a gente voar.
Sendo primavera ou outono,aqui ou noutro lugar.
Tu que eres catedrática na arte da escrita.
Me fala qualquer coisa bonita,me amansa,me alivia.
Me faz pensar em algo que reflita alegria.
Calmar a alma e o coração.
Nada tão simples assim.
Tu, que um dia já fostes querubim.
Mas perdestes as asas por amor a arte.
Faz parte.
Mas não é tudo

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

OS DOIS BRASIS (Vera Jacobina - Vereda)


Por que será que na vida,
tudo tem que ser assim,
uns com tanto,
e outros sem?

No Brasil...
tudo é mal dividido,
é o pais das diferenças,
e de muita incompetência.

O povo na contramão,
são milhares de famintos,
com os filhos desnutridos,
outros moram em mansões.

Tem gente se escondendo,
em condomínios fechados,
enquanto que nas favelas,
a vida tornou-se um inferno.

É importante constar,
e desse Brasil mostrar,
alguns flashes importantes,
da vida como ela é.

Nesse cotidiano,
tem gente vivendo a mercê,
sem nada pra comer,
passando o maior apuro.

E o Brasil,
na maior contradição,
começou a exportação
de nossos alimentos.

Há tanta miséria,
e o povo na espera,
esperando acontecer,
o que estão a prometer.

Jacobina-Ba., 11 de novembro de 2009.

Vera Jacobina (Vereda)

Vera Jacobina - Publicado no Recanto das Letras em 11/11/2009
Código do texto: T1918677

RomânticAos (Adriano Lima Menezes)

Teu afago
Afoga meu jogo.
Teu amor
Amor tece
Tecido em fogo.
Teu agrado
Agride o frio,
Frisa doçura,
Dura,
Ecoa ao...
Teu odor não tem dó,
Domina meu vazio
De forma gradual,
Dual.
Teu carinho
Alinha um ninho
Enovelando o nexo
De minha etérea
Alusão ao caos.
E teu fogo
Afaga meus ais
Moribundos,
Nauseabundos,
Mundanos.